Se você trabalha na escala 6×1 e estava esperando o Senado simplesmente referendar o que a Câmara aprovou, prepare-se: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, quebrou o silêncio e deixou claro que a PEC vai passar por comissões antes de ser votada — e que o Senado quer “melhorar” o texto. Isso muda o calendário e pode mudar o conteúdo da proposta.
Quem pode ser afetado
Todo trabalhador que hoje cumpre jornada de trabalho no regime 6×1 — seis dias de trabalho para um de folga — está diretamente na mira desta disputa política. São milhões de brasileiros em setores como comércio, serviços, segurança, saúde e alimentação que aguardam a redução da jornada semanal das atuais 44 horas para 40 horas, com a eliminação obrigatória da escala mais desgastante do mercado.
Empregadores, especialmente pequenos e médios empresários, também são afetados: qualquer mudança no texto aprovado pela Câmara pode alterar prazos de vigência, exceções setoriais ou mecanismos de compensação que ainda não foram definidos.
O que muda na prática
A PEC que acabaria com a escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados após cinco meses de debate. No Senado, porém, o rito não será o mesmo. Alcolumbre sinalizou, em plenário no início de junho de 2026, que a proposta vai tramitar em comissões — começando pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA) — antes de ir a plenário.
O problema para o trabalhador está nesse caminho. Cada comissão por onde a PEC passa é uma oportunidade de alterar o texto. E se o Senado mudar qualquer vírgula, a proposta volta à Câmara dos Deputados para nova análise. Na prática, isso significa mais meses de espera e risco real de que o texto final seja diferente do que foi aprovado pelos deputados.
Alcolumbre afirmou ser “a favor do debate”, pediu que a votação ocorra “sem pressa” e ouvindo “todos os setores da sociedade”. Já lideranças governistas pressionam para que o Senado vote ainda em junho, sem alterações. A oposição, por sua vez, apresentou uma PEC alternativa que mantém a jornada atual de 44 horas, mas abre espaço para contratos por hora trabalhada — o que, na visão de críticos, poderia precarizar ainda mais as relações de trabalho.
O relator da PEC no Senado ainda não havia sido definido até a data desta publicação, e a definição do processo de tramitação depende de reunião de líderes prevista para a semana seguinte à declaração de Alcolumbre.
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O que fazer agora
Não dá para apenas esperar. Se você quer que a PEC avance sem ser esvaziada, há ações concretas que qualquer trabalhador pode tomar hoje:
- Descubra quem é o seu senador. Acesse o site do Senado Federal (senado.leg.br), clique em “Senadores” e filtre pelo seu estado. Anote o nome e o contato do seu representante.
- Mande mensagem direta. O portal do Senado permite o envio de e-mails e mensagens para cada senador. Diga que você é eleitor do estado dele e que acompanha a tramitação da PEC das 40 horas. Manifestações de eleitores têm peso político real, especialmente em ano eleitoral.
- Acompanhe a tramitação em tempo real. Acesse a página da PEC diretamente em senado.leg.br e ative alertas de movimentação, se disponível. Assim você saberá imediatamente se o texto foi alterado ou se a votação foi pautada.
- Fique atento à composição da CCJ. A comissão que analisa o texto primeiro tem poder de recomendar alterações. Saber quem são os senadores membros da CCJ ajuda a identificar para quem direcionar a pressão política.
Onde confirmar
- Senado Federal: senado.leg.br — busque pela PEC das 40 horas para acompanhar movimentações, datas de votação e eventuais mudanças no texto.
- Câmara dos Deputados: camara.leg.br — para consultar o texto exato aprovado pelos deputados e encaminhado ao Senado.
A luta pelo fim da escala 6×1 não acabou quando a Câmara votou. Ela está apenas em outro ringue — e o placar ainda está em aberto.










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