Vagas formais de emprego

Os trabalhadores de até 24 anos responderam por 128.997 dos 165.827 empregos formais criados no Brasil em agosto de 2026, o equivalente a quase 78% do saldo registrado no mês. Os dados, divulgados na última terça-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por meio do Novo Caged, mostram que a expansão ocorreu em um período marcado pela ampliação, desde 2023, de políticas federais voltadas à aprendizagem, à qualificação profissional e à inclusão produtiva das juventudes.

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O resultado entre os mais jovens aparece em um mercado de trabalho que acumula 1,13 milhão de novos postos formais entre janeiro e agosto, crescimento de 2,41%. Apenas em agosto, foram realizadas 2,29 milhões de admissões e 2,12 milhões de desligamentos. O estoque total chegou a 48,24 milhões de vínculos com carteira assinada.

A participação dos jovens também aparece na composição dos contratos. Dos postos líquidos criados em agosto, 43.863, ou 26,5%, foram classificados pelo MTE como vínculos não típicos. Entre as modalidades que mais contribuíram para esse grupo estão trabalhadores com jornadas de até 30 horas, com saldo de 40.661 postos, e aprendizes, com 17.637. As categorias podem se sobrepor e, por isso, não devem ser somadas.

O crescimento das vagas entre os mais jovens ocorre em um período de ampliação das políticas públicas adotadas pelo governo federal para facilitar sua entrada no mercado de trabalho. Nesse contexto, a aprendizagem profissional é uma das principais delas, voltada para a entrada de adolescentes e jovens no mercado formal.

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Em abril de 2023, o governo federal alterou sua regulamentação por meio do Decreto 11.479, que reafirmou contratos de aprendizagem para pessoas de 14 a 24 anos e determinou prioridade para jovens em situação de vulnerabilidade, incluindo beneficiários de programas de transferência de renda, estudantes da rede pública, pessoas com deficiência e egressos do trabalho infantil ou do sistema socioeducativo.

A política registrou expansão nos primeiros anos da atual gestão. O número de aprendizes com vínculo ativo passou de 556,2 mil em 2023 para 609,6 mil em 2024, alta próxima de 9%. No mesmo ano, mais de 117 mil aprendizes foram contratados após ações da fiscalização do trabalho, crescimento de 33,3% em relação a 2023, segundo relatório de gestão do MTE.

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Outro instrumento criado no período foi o Pacto Nacional pela Inclusão Produtiva das Juventudes, instituído em dezembro de 2023. A iniciativa estabelece como objetivos ampliar a qualificação de jovens, estimular o emprego formal e protegido e articular governo, empresas, sindicatos, instituições formadoras e organizações juvenis em torno da inserção de pessoas entre 15 e 29 anos no mercado de trabalho.

A estrutura foi acompanhada pelo Programa Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional, lançado também em 2023. Até novembro de 2025, mais de 182 mil vagas gratuitas de qualificação haviam sido pactuadas com universidades, institutos federais, organizações sociais, estados e municípios. O programa busca ampliar a inserção de trabalhadores em situação de vulnerabilidade tanto no emprego formal quanto no trabalho autônomo.

Dessa forma, o resultado observado em agosto ocorre em meio a uma mudança mais ampla na atuação federal para a juventude, com políticas que passaram a combinar qualificação, aprendizagem e estímulo explícito ao trabalho formal e protegido. O avanço das contratações entre os mais jovens mostra, nesse contexto, como a inserção no mercado de trabalho também pode ser tratada como política pública — e não apenas como resultado espontâneo das decisões das empresas.

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José Carlos Sanchez Jr.

José Carlos Sanchez Jr.

Jornalista e redator focado em políticas públicas, desigualdade, Estado, democracia e direitos, com atuação em reportagens baseadas em dados, documentos públicos e análise de impacto social.

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