O governo federal elevou nesta segunda-feira (18) sua projeção oficial de inflação para 2026, de 3,7% para 4,5% — exatamente no teto do sistema de metas. A revisão consta no Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e tem como principal causa a escalada do preço do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio.
O barril de petróleo opera acima de US$ 110, pressionado pela tensão geopolítica na região. Segundo o Ministério da Fazenda, essa alta tem “potencial de pressionar a inflação brasileira via aumento dos combustíveis”. Em linguagem direta: gasolina, diesel e gás de cozinha podem ficar mais caros nos próximos meses, corroendo ainda mais o orçamento de trabalhadores e aposentados que já convivem com preços elevados no supermercado e nas contas de casa.
Para quem vive com renda fixa ou depende de benefícios sociais, a inflação no teto da meta é um sinal de alerta importante. Quando os preços sobem na bomba de combustível, o efeito se espalha rapidamente: o frete encarece, o transporte público pressiona tarifas e os alimentos nas prateleiras acompanham a alta. O trabalhador informal, o aposentado pelo INSS e o beneficiário do Bolsa Família são os mais vulneráveis a esse tipo de choque, pois têm menor capacidade de reajustar suas receitas no curto prazo.
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O Ministério da Fazenda reconheceu o problema, mas tentou temperar o pessimismo. Em nota, a pasta informou que “parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalanceada pelos efeitos do real mais apreciado e por medidas mitigatórias adotadas pelo Governo Federal para conter o repasse do aumento dos combustíveis no mercado doméstico”. O governo, porém, não detalhou quais seriam essas medidas nem quando seriam anunciadas. Apesar da revisão, a Secretaria de Política Econômica manteve em 2,3% a projeção de crescimento do PIB para este ano, a mesma taxa registrada em 2025.
O cenário ainda pode piorar. O mercado financeiro trabalha com estimativa de inflação ainda mais alta para 2026: 4,92%, bem acima da projeção oficial. Conforme noticiado pelo G1, desde o início de 2025 o Brasil adota o sistema de meta contínua, com objetivo central de 3% ao ano e tolerância entre 1,5% e 4,5%. Chegar ao teto já é, por si só, um resultado ruim, e qualquer novo choque externo pode fazer a inflação ultrapassar esse limite, tornando o controle dos preços um dos maiores desafios econômicos do segundo semestre.




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