Pacientes com fibromialgia realizaram, neste domingo (17), uma série de mobilizações em diferentes cidades do Brasil para chamar atenção sobre a síndrome e exigir garantia de direitos e tratamento adequado dentro do Sistema Único de Saúde. Segundo a Agência Brasil, o movimento reuniu profissionais de saúde e pessoas afetadas pela doença em atividades que misturaram cuidado e pressão por políticas públicas.
Em Brasília, o evento aconteceu no Parque da Cidade e incluiu sessões de acupuntura, liberação miofascial e orientações sobre fisioterapia — serviços que muitos pacientes relatam dificuldade em acessar pela rede pública de forma contínua e adequada. A iniciativa evidencia uma lacuna histórica no atendimento a uma condição que, apesar de reconhecida pela medicina, ainda enfrenta barreiras de diagnóstico e tratamento no SUS.
A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dor muscular generalizada, fadiga intensa e distúrbios do sono, entre outros sintomas. Por não apresentar marcadores laboratoriais visíveis, a doença costuma ser subdiagnosticada ou confundida com outras condições, o que atrasa o início do tratamento e prejudica a qualidade de vida dos pacientes, em sua maioria mulheres em idade economicamente ativa. Para trabalhadores e beneficiários do INSS, o impacto é direto: a síndrome pode limitar a capacidade laborativa e gerar necessidade de afastamento, mas o reconhecimento do direito ao benefício por incapacidade nem sempre é simples de obter na perícia médica federal.
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De acordo com a Agência Brasil, as mobilizações tiveram como objetivo central cobrar do poder público ações concretas para a garantia de direitos das pessoas com fibromialgia, incluindo acesso a tratamentos multidisciplinares dentro do SUS. Os organizadores defendem que a síndrome precisa de abordagem integrada, com equipes formadas por médicos, fisioterapeutas, psicólogos e outros especialistas, um modelo ainda distante da realidade de grande parte dos municípios brasileiros.
O movimento chama atenção para um grupo de pacientes que frequentemente enfrenta não apenas a dor física, mas também o descrédito social e institucional diante de uma condição que não aparece em exames convencionais. Para quem depende exclusivamente do sistema público de saúde, a ausência de protocolos claros e de oferta regular de tratamentos representa um obstáculo concreto ao exercício de um direito básico: cuidar da própria saúde com dignidade e acesso igualitário.










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