Começo recordando o que dizia minha falecida mãezinha: “todo mundo se preocupa muito com criança abandonada, mas ninguém liga pra ‘velho’, ninguém quer cuidar”.
A frase pode parecer dura, preconceituosa, politicamente incorreta. Concordo! Porém, acredito que a crueza da ideia expõe exatamente a condição do idoso no mundo atual.
15 de junho é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. Entretanto, parece que não há motivos para comemoração.
A violência, física ou moral, contra qualquer pessoa, já é repugnante; contra criança e idoso, porém, é mais aflitiva, pois em grande parte são seres humanos totalmente indefesos.
Mas chama a atenção a violência moral, também conhecida no meio jurídico como coação moral ouvis compulsiva, que ocorre quando alguém é forçado a agir contra a própria vontade por meio de ameaças, chantagens ou intimidações.
São filhos, parentes e pessoas próximas, que não respeitam a mínima vontade do idoso mesmo isso sendo factível, possível de ser realizada. Muito comum no cotidiano das famílias é a dúvida de quem cuidará dos pais anciãos, os incapazes de viver sem auxílio de um filho. A propósito, o filme, Parenti serpenti, de Mario Monicelli, embora seja classificado como comédia, retrata esta situação trágica. Isso na hipótese de existir pelo menos um filho para a tomada desta decisão. Por outro lado, é de se reconhecer que não é tão simples se resolver esse problema, afinal, todos têm família e mesmo vida particular para cuidar. Não por acaso surgiu a profissão de cuidador de idoso, profissional que deve ser muito valorizado.
O idoso não pode ser considerado um “estorvo”!
Outro aspecto relevante é o tratamento massacrante que a tecnologia moderna impõe ao idoso obrigando-o ao manuseio de celulares, senhas e procedimentos cujas técnicas para a obtenção de uma simples “prova de vida” o submete a situações incompreensíveis e até mesmo vexatórias.
A falta de auxílio de pessoas mais jovens que detenham o conhecimento destas tecnologias, pode interferir em situações que atentem contra a sua própria sobrevivência.
Claudia S. Franco[1] aborda muito bem esta situação no Instagran e no Facebook (olha aí: mais tecnologia moderna que muito idoso sequer tem acesso…).
Acostumados a atendimento presencial por um ser humano que o oriente, sem essa ajuda o idoso é obrigado a fazer um “curso rápido de informática” para ser atendido numa demanda qualquer, “aproximando ou distanciando a câmera do celular” para obter um “simples reconhecimento de biometria facial”! Extenuante, massacrante e cruel! E ainda por cima, é visto como um verdadeiro “E T” por gente mais jovem, por “não saber fazer isso ou aquilo”! É um tal de “clicar aqui e ali” e o idoso sofre…
Por outro lado, muitos destes jovens não são capazes de reconhecer a verdadeira “enciclopédia” que o idoso traz consigo em seu cérebro!
As experiências acumuladas em vida – de carne e osso –, tanto as boas quanto as más, as histórias cômicas e as tristes pelas quais passou o fizeram chegar até onde chegou.
Não se trata de mero saudosismo, mas sim, de se dar o devido valor àquele ser humano calejado pelo tempo e pelas emoções, experiências que podem servir de exemplo para as gerações futuras, ajudando-as a seguir adiante.
O chamado “etarismo” ou a discriminação baseada na idade, no que toca principalmente a pessoas idosas acaba por privilegiar estereótipos, exclusão social e até violência psicológica. Essa prática é crime no Brasil, sujeita a penalidades previstas por lei.
[1] design de informação: traduz a Ciência da Longevidade para Rotina; orientadora 60+: Estilo de Vida e Autogestão. Envelhecer Vibrante e Autônomo (v. https://www.instagram.com/reel/DZDmh0GBR5g/)


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