Antes de tudo, aviso importante: este artigo tem lado. E o lado está há muito definido, mais ainda neste momento crucial da História do país, do rumo que seguirá após o pleito eleitoral.
Tomo a liberdade de mencionar o que o jornalista Luíz Nassif (sempre ele!) vem sustentando há bom tempo: “a escolha entre Lula e Flávio Bolsonaro é escolher entre a civilização e a barbárie!”. Definição mais simples, objetiva e direta não poderia haver. O jornalista toma o cuidado de ressalvar que, por mais críticas que se possa fazer a Lula e ao PT, não resta alternativa senão eleger Lula.
Complementando, lembra que o projeto de (futuro da) nação – que pode acontecer com o petista, em caso de uma hecatombe de eleição do “Bolsonarinho”, será enterrado de vez. Passaremos a ser colônia, não mais de Portugal, mas dos EUA, entregando todas as riquezas as quais os ianques possuam interesse em levar daqui, notadamente o petróleo e as tais “terras raras” de que tanto necessita sua economia capenga, desindustrializada, dependente, ora superada pela economia chinesa.
Dito isto, sabendo que uma parcela do eleitorado ainda “vive na caverna” do bolsonarismo (uns 30%?), e que outra parcela (também cerca de 30%?) é eleitor de Lula e do PT, inacreditavelmente o restante, dizem as pesquisas, ainda não se decidiu em quem votar! Para estes, incrivelmente ainda persiste a “dúvida cruel” da eleição de 2018, do “glorioso Estadão”[1]: “uma escolha difícil”…
Isso ocorre por dois motivos, segundo minha humilde opinião: esses eleitores são desinformados totalmente ou, na realidade, são de direita, talvez envergonhados de se qualificarem “bolsonaristas”. O mais terrível e curioso desse “espécime” é aquele que diz, “não sou de direita nem de esquerda, sou neutro! Ora, ora, para início de conversa, “neutro é shampoo para cabelo”, ou “marcha de câmbio automático” de veículo. E não sendo “nada, nem de um lado, nem de outro”, a pergunta que resta é: esse eleitor por acaso “levita”? Seria cômico se não fosse trágico… E a responsabilidade pelos rumos do país, da redução da desigualdade, das instituições funcionando a contento, etc.? E se um tirano – como se revelou o pai – quiser submeter a nação aos seus caprichos (ou seria aos do Trump?), o “neutro” apoiaria? Para finalizar, gostaria de reproduzir parte do que escreveu Aldo Fornazieri no artigo, “Manifesto do temor e da esperança[2], lembrando ainda sobre a importância de se eleger um Congresso Nacional livre de pulhas, como é o atual:
“O Brasil encontra-se numa encruzilhada. A mais temível e ameaçadora encruzilhada desde a redemocratização. Nem a vitória de Jair Bolsonaro e nem a tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023 foram tão ameaçadoras quanto o perigo que nos olha com os olhos ameaçadores neste momento. As instituições democráticas, mal ou bem, estavam aparelhadas, tanto para absorver a vitória da extrema-direita em 2018, quanto para resistir e repudiar a tentativa de golpe em 2023.
Agora não. Uma vitória de Flávio Bolsonaro implicará que ele subirá a rampa do Planalto com a legitimidade eleitoral. Implicará que ele será acompanhado pela maioria de um Congresso mais conservador na próxima legislatura. Encontrará um Supremo Tribunal Federal, que foi o sustentáculo da democracia nos últimos tempos, completamente cindido, dilacerado pela crise interna.
Mais do que isso: poderá indicar de 4 a 5 novos ministros do STF, estabelecendo um domínio tanto no Congresso, quanto na Corte Constitucional. Não terá os freios e contrapesos em nenhum lugar. Poderá mudar a Constituição de acordo com a sua vontade arbitrária. Não precisará apelar para os militares para implantar um regime de exceção. Terá condições de estabelecer uma longa hegemonia, de 15 ou 20 anos, da extrema-direita.
Se vencer, o bolsonarismo terá condições de arrasar direitos, de sacrificar a liberdade, de escavar mais fundo o fosso das desigualdades, de pisotear a soberania, de instituir a violência e a bukelização da repressão contra a juventude, os movimentos sociais e a oposição. (…)”
Portanto, caro eleitor indeciso, novamente aludindo ao artigo de Fornazieri, “resta pouco tempo para decidir se somos capazes de rejuvenescer a esperança para que ela possa produzir novas flores e novos frutos”.
[1] O termo ficou famoso em um editorial do segundo turno da eleição presidencial de 2018, quando o jornal equiparou as candidaturas de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. A frase é frequentemente lembrada e debatida em discussões sobre posicionamentos da imprensa em pleitos eleitorais subsequentes, como em 2022.
[2]https://jornalggn.com.br/opiniao/manifesto-do-temor-e-da-esperanca-por-aldo-fornazieri/



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