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Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

Enquanto a inflação desacelerou para a maioria dos brasileiros em abril de 2026, as famílias com renda de até R$ 2.299,82 viram o índice subir de 0,85% para 0,92% no mês. Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e revelam que os mais pobres seguem sendo os mais vulneráveis às oscilações de preços essenciais, como energia elétrica e medicamentos.

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O Ipea aponta que os reajustes na energia elétrica (0,72%) e nos produtos farmacêuticos (1,8%) foram os principais responsáveis pela aceleração da inflação entre os mais pobres em abril.

Para as demais faixas de renda, acima de R$ 2.299,82, o comportamento foi oposto: a inflação desacelerou no mesmo período, aprofundando a desigualdade no impacto dos preços sobre diferentes grupos sociais.

No acumulado de janeiro a abril de 2026, a inflação já corrói 2,66% do poder de compra das famílias de menor renda. Em 12 meses, a variação chega a 3,83% para esse grupo.

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Além da energia e dos remédios, o conjunto total de famílias também sentiu alta em alimentos básicos. O leite registrou o aumento mais expressivo: 13,7% em abril. A batata subiu 6,6%, o feijão carioca avançou 3,5% e o arroz teve alta de 2,5%.

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Carnes (1,6%) e ovos (1,7%) também ficaram mais caros, pressionando especialmente os lares de menor renda, que destinam uma fatia proporcionalmente maior da renda ao consumo de alimentos.

O grupo de saúde e cuidados pessoais também pesou no orçamento. Artigos de higiene subiram 1,6% e os serviços médicos tiveram reajuste de 1,0% no mês, segundo o Ipea.

Os combustíveis registraram alta de 1,8% em abril, impactando tanto o transporte quanto os custos de produção e distribuição de alimentos e produtos industrializados em geral.

O cenário reforça um padrão identificado pelo instituto: a inflação atinge de forma diferente cada camada da população. Quem ganha menos tem menos margem para substituir produtos caros por alternativas mais baratas, ficando mais exposto às altas concentradas em itens essenciais como comida, luz e saúde.

Para o cidadão de baixa renda, o recado dos dados é direto: mesmo que a inflação oficial pareça sob controle, a pressão sobre o orçamento doméstico continua crescendo. Energia, remédio e comida — exatamente o que não dá para cortar — são os vilões do momento.

Redação IA Dinheiro

Redação IA Dinheiro

Equipe editorial dedicada a explicar decisões do Estado, traduzir políticas públicas e orientar cidadãos sobre como acessar seus direitos e benefícios sociais.

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