B3 viabiliza a primeira emissão pública de CPR para pessoas físicas

Operação da Klabin, no valor de R$ 1,5 bilhão, marca um novo capítulo no acesso ao agronegócio, agora disponível diretamente para o investidor de varejo

A B3 anunciou hoje (25/08) a liquidação da primeira emissão pública de CPR (Cédula do Produto Rural) voltada a pessoas físicas. Emitida pela Klabin no valor de R$ 1,5 bilhão, a operação inaugura uma nova forma de investimento com isenção de Imposto de Renda, até então restrita a operações privadas ou usadas como lastro de CRAs.

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O que são CPRs?

As CPRs são títulos que registram a obrigação futura de entrega de produtos rurais ou o pagamento em dinheiro equivalente. Até agora, esse instrumento circulava majoritariamente no mercado institucional, servindo de lastro para Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Com a operação de hoje, o investidor de varejo passa a ter acesso direto a esse ativo, ampliando o leque de produtos de renda fixa disponíveis no mercado brasileiro.

Segundo a B3, a abertura desse mercado ao público de varejo é um marco para a democratização do acesso ao agronegócio e deve atrair investidores interessados em diversificar suas carteiras com produtos atrelados a setores estratégicos da economia.

O agronegócio brasileiro representa cerca de 25% do PIB, e sua entrada mais ampla no mercado de capitais tende a aproximar ainda mais produtores, empresas e investidores.

Detalhes da operação

A emissão, feita pela Klabin, maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil, movimentou R$ 1,5 bilhão. Os títulos têm isenção fiscal para pessoas físicas, o que aumenta sua atratividade em comparação com outros papéis de renda fixa sujeitos à tabela regressiva do Imposto de Renda.

Com isso, investidores terão a possibilidade de aplicar diretamente em um título representativo de operações reais do setor produtivo. Essa abertura pode gerar maior liquidez, transparência e competitividade no mercado de crédito ligado ao agro, fortalecendo a conexão entre o capital de mercado e a produção rural.

Impactos e próximos passos

Especialistas avaliam que o movimento deve estimular novas emissões públicas de CPR e atrair bancos, fintechs e corretoras interessadas em estruturar ofertas semelhantes.

Para o investidor de varejo, trata-se de mais uma alternativa de diversificação em renda fixa isenta, ao lado de LCI, LCA e debêntures incentivadas.

A expectativa é de que, com a consolidação desse modelo, as CPRs públicas se tornem um produto relevante dentro das plataformas de investimento, ampliando o acesso ao agronegócio e oferecendo novas oportunidades de retorno em um dos setores mais fortes da economia brasileira.

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José Carlos Sanchez Jr.

José Carlos Sanchez Jr.

Administrador de Empresas com MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atualmente é consultor financeiro e redator especialista em finanças.

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