Trump
O primeiro-ministro, Neville Chamberlain, anuncia o Acordo de Munique em 30 de setembro de 1938.

Antes de tudo, cumpre ressaltar que muito se escreveu e muitos escreveram sobre a conhecida situação vivida pela vizinha Venezuela. Muitos professores, jornalistas e profissionais experts em geopolítica, em relações internacionais, gente estudada, competente que “manja do assunto” se pronunciou.

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Analisaram a questão da invasão ocorrida sob múltiplos aspectos, desde o sequestro de Maduro ao real interesse de Trump no petróleo; já se fez previsões para o futuro do país, por ora sob a direção da presidenta interina Delcy Rodriguez.

Portanto, não se vislumbra nesse breve artigo a pretensão de trazer alguma novidade, algum “furo de reportagem”, alguma notícia diferente de tudo o que já escreveram os especialistas nos variados veículos de comunicação. Apenas se pretende trazer à reflexão algumas ideias, talvez não tão novas, mas sob um enfoque um tanto quanto diferente, correndo-se o risco de se escrever alguma asneira.

Todavia, sem medo de errar, parece que deste lado do Atlântico surgiu no atual cenário geopolítico um novo líder tresloucado, mas com método, no país autointitulado “berço da democracia”.

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Qualquer semelhança com um Führer que dominou a Alemanha, e colocou o mundo em guerra (novamente) no século passado, definitivamente, não é mera coincidência. Se não acreditam, basta dizer que em entrevista ao New York Times, Trump afirmou que “só pode ser detido pela sua ‘própria moralidade’ e “(…) não precisa do direito internacional”, seguindo sua própria mente, “única coisa que pode me deter”, como disse textualmente.

Nessa linha, são bem eloquentes as imagens acima que retratam o então Primeiro-Ministro britânico, Chamberlain, ao desembarcar do avião em solo britânico, recebido como herói, segurando ao vento uma folha de papel branca, propagandeando ser cópia do tal “Acordo de Munique” (vulgarmente conhecido na República Checa como a “Sentença de Munique” ou “traição de Munique”), segundo o qual se decretou o futuro da Checoslováquia, mais tarde terminando com a capitulação das nações democráticas perante a Alemanha Nazista.

Lembre-se que, em março do mesmo ano (1938), Hitler já havia anexado a Áustria à Alemanha e viria a invadir a Polônia em 01 de setembro de 1939, fato tido com desencadeador da Segunda Guerra Mundial.

Com base nesses fatos históricos, traçando-se um paralelo entre o que ocorreu no passado e o que vem ocorrendo no presente – especialmente com relação aos fatos recentes ocorridos na Venezuela – pergunta-se: como – e se – poderá aplacar a sanha de conquistas por parte de Trump, passando por apropriação de petróleo, terras raras e demais commodities, à anexação de territórios independentes (Groenlândia, América Latina, mais precisamente seu vizinho, México, Colômbia e, mais a médio prazo, o Brasil, talvez)? Em simples palavras: quem ou que tem força para parar Trump e seus desatinos imperialistas?

Os especialistas e jornalistas do campo progressista (obviamente) não são videntes, aliás, ninguém é, na verdade.

Mas é preciso encontrar uma solução e esta parece que não será encontrada a curtíssimo prazo. Daí, só restaria aos governos agirem pragmaticamente, tentando antecipar cada passo que será dado por Trump, talvez utilizando um pouco da tática utilizada por Chamberlain para tratar com Hitler, posto que enfrentar o poderio militar dos EUA sob a batuta do insano, poderá levar a conflito pior do que o diplomático? Apenas para reflexão: Neville Chamberlain foi herói ou foi vilão? Que lugar a História deve lhe reservar, levando-se em conta o contexto que enfrentava para tal atitude?

De qualquer forma, quem sabe a solução mais viável a médio prazo é a encontrada pelo jornalista Alex Solnik ao afirmar que “Os americanos têm que tirá-lo do poder o quanto antes”, conforme escreveu no brevíssimo, mas certeiro artigo, “O fanático do Apocalipse – Ou o mundo acaba com Trump ou Trump vai acabar com o mundo”. Recomenda-se a leitura [1].

A tarefa para os estadunidenses parece não ser nada fácil, muito embora, inacreditavelmente, tenha sido a grande maioria dos próprios eleitores de lá que colocou o insano no poder. Contudo, não se vê muita alternativa quando se lida com “um elefante na loja de louças”.


[1] https://www.brasil247.com/blog/o-apologista-do-apocalipse-0w8e6rd8

Walter José Rinaldi Filho

Walter José Rinaldi Filho

Walter José Rinaldi Filho é cidadão jauense, servidor público estadual aposentado, progressista, com olhar crítico das relações humanas, principalmente as políticas.

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