O Ibovespa encerrou agosto com uma alta de 6,2%, atingindo 141.568,51 pontos, marcando um novo recorde histórico. O desempenho positivo foi impulsionado por resultados corporativos sólidos, o otimismo global com a recuperação econômica da China e as expectativas de cortes na taxa de juros nos Estados Unidos. Contudo, investidores seguem cautelosos, monitorando os riscos fiscais e a instabilidade política interna.
A valorização do índice foi impulsionada por uma combinação de fatores internos e externos, incluindo resultados positivos das grandes empresas brasileiras, o otimismo com commodities e um cenário global favorável.
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Expectativa de corte de juros nos EUA impulsiona mercado brasileiro
O otimismo nos mercados financeiros globais foi reforçado pela expectativa de um possível corte nas taxas de juros dos Estados Unidos, definido pelo Federal Reserve.
Este fator ajudou a impulsionar o fluxo de capitais para mercados emergentes, como o Brasil, e também favoreceu a valorização do real.
Além disso, a recuperação econômica da China teve impacto positivo, elevando a percepção de risco favorável para ativos internacionais, incluindo o Brasil. O seminário de Jackson Hole, evento de autoridades monetárias, foi crucial para a alta do índice.
O presidente do Fed, Jerome Powell, indicou que o banco central norte-americano poderia reduzir a taxa de juros, o que incentivou investidores a aumentar suas posições no mercado brasileiro.
Os dados de inflação nos Estados Unidos, que se mantiveram dentro das expectativas, reforçaram a probabilidade de um corte na taxa de juros em setembro.
Fatores domésticos: riscos fiscais e cenário político continuam sendo monitorados
Apesar da forte valorização, o mercado interno ainda enfrenta desafios significativos. A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, com o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, gerou tensão no setor de exportação.
Além disso, o governo brasileiro tem enfrentado pressões fiscais, com a implementação de programas que aumentam o déficit público.
Essas questões continuam a gerar incerteza e afetam o apetite por risco dos investidores, que permanecem atentos à evolução da política fiscal e à estabilidade política interna, especialmente com as eleições se aproximando.
Setores que impulsionaram o Ibovespa: destaque para energia, bancos e commodities
Entre os setores que impulsionaram o desempenho do Ibovespa em agosto, os de commodities e energia foram os grandes destaques.
Empresas do setor de mineração e petróleo, como Vale e Petrobras, se beneficiaram da valorização internacional desses produtos.
O setor de energia também teve um bom desempenho, especialmente nos últimos pregões, com a recuperação das ações de empresas como Eletrobras.
Além disso, bancos e financeiras também recuperaram parte das perdas anteriores, impulsionados pela expansão do crédito e pela estabilidade econômica.
No entanto, nem todos os setores se beneficiaram do clima positivo. O setor de exportação, especialmente empresas como a Rumo, foi impactado pelas tarifas dos EUA e registrou quedas consideráveis.
Ações que se destacaram no mês de agosto: Raia Drogasil e MRV Engenharia entre os maiores ganhos
No mês de agosto, a maior alta do Ibovespa foi registrada por Raia Drogasil (RADL3), que viu suas ações se valorizarem 38,46%. Outras ações que se destacaram foram MRV Engenharia (MRVE3), com alta de 28,24%, e Hapvida (HAPV3), que subiu 26,28%.
Esses resultados foram impulsionados pela sólida temporada de resultados do segundo trimestre de 2025, que demonstrou um bom desempenho no mercado corporativo.
Por outro lado, o setor de exportação, especialmente a Rumo (RAIL3), sofreu perdas significativas devido à expectativa de menor demanda externa. A ação da companhia caiu mais de 11% no mês.
O que esperar para setembro: otimismo, mas com cautela
O especialista José Carlos de Souza Filho, da FIA Business School, acredita que o otimismo que caracterizou agosto pode continuar em setembro, com a expectativa de um fluxo positivo de capitais tanto para renda fixa quanto variável.
No entanto, ele alerta que o mercado continuará vulnerável a fatores externos, como a decisão sobre os juros dos EUA e as condições econômicas globais.
No Brasil, o risco fiscal e o impacto das eleições no cenário político interno devem ser monitorados de perto, uma vez que influenciam diretamente a volatilidade do mercado e as expectativas sobre o prêmio de risco Brasil. A inflação, o câmbio e os dados de emprego serão fatores chave a serem observados.