Desaceleração do PIB deve impactar o custo das empresas? Entenda!

Com o crescimento da economia brasileira em ritmo mais lento, especialistas apontam desafios para companhias em crédito, insumos, energia e demanda

São Paulo, 22 de agosto de 2025 – O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao período anterior e 2,9% frente ao mesmo trimestre de 2024, segundo o IBGE. Apesar do bom desempenho inicial, analistas projetam perda de fôlego nos próximos trimestres. A desaceleração, em meio a juros elevados e inflação próxima de 5%, acende um alerta sobre os custos das empresas.

Projeções do Ministério da Fazenda indicam que o crescimento anual do PIB deve ficar entre 2% e 2,5% em 2025, com nova desaceleração em 2026, quando a expansão deve girar em torno de 1,5%. Esse cenário sugere um ambiente de negócios mais restritivo, com impacto direto nas margens, no crédito e nos investimentos corporativos.

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Como a desaceleração do PIB pressiona os custos das empresas

A desaceleração do PIB brasileiro em 2025 deve impactar diretamente os custos das empresas. Com Selic em 15% e inflação próxima de 5%, o crédito fica mais caro, contratos e insumos seguem pressionados e a demanda interna desacelera. Indústria, varejo, construção e serviços estão entre os setores mais vulneráveis.

O impacto mais imediato recai sobre o custo do crédito. Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, empresas precisam lidar com linhas de financiamento mais caras, o que eleva as despesas financeiras e restringe a capacidade de expansão, afetando desde a renovação de capital de giro até projetos de médio e longo prazo.

A inflação, que deve encerrar 2025 em torno de 4,9%, embora abaixo dos patamares recentes, segue acima do centro da meta oficial (3%). Esse descompasso pressiona contratos, reajustes salariais e insumos básicos, ampliando a necessidade de renegociação de preços e de eficiência operacional para preservar as margens.

Panorama macroeconômico (2024–2026)

Comparativo de PIB, inflação e Selic com impacto esperado nos custos empresariais.

AnoPIB (%)Inflação (%)Selic (%)Impacto esperado
20243,04,613,75Expansão moderada com crédito ainda caro
20252,0–2,54,915,0Desaceleração; pressão de custos e margens
20261,5*4,5*12,0*Crescimento fraco; possível alívio no crédito*

* 2026: cenário de referência/estimativa.

Setores mais vulneráveis ao crescimento fraco

A indústria é um dos segmentos mais sensíveis ao desaquecimento econômico. Além de enfrentar custos energéticos e logísticos elevados, precisa lidar com a queda da demanda interna, o que impacta especialmente setores intensivos em capital, como siderurgia e automobilístico.

O varejo também tende a sofrer: a desaceleração da renda das famílias reduz o consumo, enquanto o crédito ao consumidor permanece restrito e caro. Grandes redes podem ter mais fôlego para repassar custos ou renegociar dívidas, mas empresas menores ficam expostas à compressão de margens.

Na construção civil, a dependência de financiamentos de longo prazo torna o setor um dos mais afetados pelos juros altos. A desaceleração do PIB deve limitar novos lançamentos e encarecer projetos em andamento.

Já os serviços, que têm participação crescente no PIB, sofrem com a perda de dinamismo do consumo e com custos operacionais elevados, especialmente em segmentos como turismo, alimentação e educação.

Setores mais vulneráveis ao crescimento fraco

Pressões de custo e efeitos da desaceleração por segmento.

SetorPressão de custoImpacto da desaceleração
IndústriaEnergia, logística e insumosDemanda interna menor; margens comprimidas
VarejoCapital de giro e meios de pagamentoConsumo das famílias em baixa; crédito caro
Construção civilFinanciamento de longo prazoMenos lançamentos; projetos encarecem
ServiçosPessoal, aluguel e operacionaisMenor dinamismo do consumo
Agro & alimentosFrete, insumos e câmbioVolatilidade de preços; repasse limitado

Estratégias de adaptação das empresas

Especialistas apontam que, diante desse cenário, as companhias precisam reforçar a disciplina financeira. Isso significa:

  • Renegociar dívidas em busca de prazos mais longos e custos menores;
  • Ajustar estoques para reduzir capital imobilizado em meio à queda da demanda;
  • Investir em eficiência energética e digitalização para cortar despesas fixas;
  • Diversificar mercados e receitas, diminuindo a dependência exclusiva da economia doméstica.

Empresas que conseguirem se antecipar à perda de fôlego da economia tendem a preservar liquidez e competitividade, mesmo com um PIB mais fraco.

Perspectivas até 2026

Embora o desempenho de 2025 tenha começado positivo, a tendência é de desaceleração. A CEPAL projeta que o crescimento do PIB brasileiro deve cair para 2,0% em 2025 e 1,5% em 2026, refletindo uma economia ainda marcada por desafios estruturais.

Para as empresas, o resultado é operar em um ambiente de baixa expansão econômica, crédito caro e pressão de custos.

Por outro lado, se a inflação continuar em trajetória de queda, abre-se espaço para cortes graduais na Selic a partir de 2026, aliviando assim, parte da pressão sobre o crédito e ajudando companhias a retomar investimentos. Até lá, o desafio será manter o equilíbrio financeiro em um contexto de crescimento limitado.

Em síntese

A desaceleração do PIB brasileiro deve impactar os custos das empresas em diferentes frentes: do crédito caro à inflação persistente, passando por energia, logística e demanda interna.

O próximo ciclo de negócios exigirá mais planejamento e eficiência para que as organizações atravessem um período de economia lenta sem perder competitividade.

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José Carlos Sanchez Jr.

José Carlos Sanchez Jr.

Administrador de Empresas com MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atualmente é consultor financeiro e redator especialista em finanças.

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