Dissídio Salarial

O dissídio salarial é o reajuste anual negociado entre sindicatos e empresas para corrigir salários, normalmente com base na inflação acumulada. Ele é garantido aos trabalhadores com carteira assinada e pode surgir de acordo coletivo, convenção coletiva ou decisão da Justiça do Trabalho quando não há consenso entre as partes.

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O que é dissídio e por que ele existe?

Dissídio é o instrumento jurídico utilizado para resolver conflitos trabalhistas entre empregados e empregadores, especialmente nas negociações coletivas. No contexto salarial, ele se refere ao reajuste anual negociado entre sindicatos e empresas para corrigir os salários da categoria.

Esse mecanismo existe porque os salários precisam ser revisados periodicamente para evitar perda do poder de compra causada pela inflação. Sem a negociação coletiva, não haveria obrigação automática de recomposição salarial.

A previsão legal do dissídio está na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente nos artigos 643 e 763, além do artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição Federal, que reconhece a validade dos acordos e convenções coletivas de trabalho.

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Dissídio não é aumento espontâneo de salário

Uma das maiores confusões sobre o tema é acreditar que dissídio e aumento salarial são a mesma coisa. Embora o reajuste resulte em salário maior, a lógica por trás é diferente.

O aumento salarial pode acontecer por decisão da empresa, promoção ou mérito individual. Já o dissídio ocorre por negociação coletiva e envolve toda a categoria profissional.

Na prática, o dissídio é uma correção salarial negociada, não uma bonificação. Ele pode até trazer ganho real, mas na maioria das vezes serve apenas para recompor perdas causadas pela inflação.

Essa diferença é importante porque explica por que o dissídio não depende da vontade da empresa. Quando aprovado em convenção coletiva, ele passa a ser obrigatório.

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Quem tem direito ao dissídio salarial?

Todo trabalhador contratado pelo regime da CLT faz parte de uma categoria profissional. Essa categoria é representada por um sindicato que negocia anualmente as condições de trabalho com o sindicato patronal.

É essa negociação que define o dissídio. Na prática, isso significa que o direito ao reajuste não depende do cargo, do tempo de empresa ou da avaliação de desempenho. O direito está ligado ao vínculo empregatício formal.

Quem trabalha com carteira assinada participa automaticamente das negociações da sua categoria e, quando o reajuste é aprovado, deve receber a correção salarial.

Isso inclui trabalhadores em período de experiência e empregados contratados após a data-base, que podem receber o reajuste de forma proporcional.

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Quais são os tipos de dissídio?

Existem quatro modalidades principais: o dissídio salarial, o dissídio coletivo, o dissídio individual e o dissídio retroativo. Entender a diferença entre eles ajuda a compreender como funcionam as negociações trabalhistas no dia a dia.

Dissídio salarial

O dissídio salarial é o tipo mais conhecido e o que costuma gerar maior expectativa entre os trabalhadores. Ele acontece quando sindicatos e empresas negociam o reajuste anual dos salários de determinada categoria profissional.

Esse processo está previsto na legislação trabalhista e faz parte da dinâmica das convenções coletivas. Em muitos casos, a negociação é resolvida diretamente entre sindicatos e empresas, sem necessidade de decisão judicial. Quando há acordo, o reajuste passa a valer para todos os trabalhadores da categoria.

Dissídio individual

O dissídio individual ocorre quando o conflito envolve apenas um trabalhador e a empresa. Nesse caso, não há negociação coletiva nem participação do sindicato como representante de toda a categoria.

Essa situação geralmente aparece em ações trabalhistas que discutem direitos específicos, como diferenças salariais, horas extras ou verbas rescisórias. O processo é analisado diretamente pela Justiça do Trabalho.

Dissídio coletivo

O dissídio coletivo envolve toda uma categoria profissional e costuma ocorrer quando não há acordo entre sindicatos e empresas durante a negociação anual.

Quando as partes não chegam a um consenso, o conflito pode ser levado ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que passa a decidir sobre reajustes, benefícios e condições de trabalho. Esse tipo de dissídio também pode surgir em contextos de greve, paralisações ou revisão de normas coletivas.

Dissídio retroativo

O dissídio retroativo está ligado ao atraso nas negociações. Nem sempre o acordo coletivo é fechado na data-base da categoria, e quando isso acontece surge a obrigação de pagar as diferenças salariais referentes ao período anterior.

Na prática, significa que o reajuste é aplicado com efeito retroativo. Se o acordo é fechado meses depois da data-base, a empresa deve pagar a diferença acumulada desde o mês em que o reajuste deveria ter começado a valer.

Esse pagamento costuma aparecer na folha como diferença salarial e é obrigatório quando previsto na convenção coletiva.

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O que é a data-base e por que ela define o reajuste?

Cada categoria profissional possui um mês específico do ano em que acontecem as negociações coletivas. Esse mês é chamado de data-base.

É a partir dele que sindicatos e empresas discutem:

  • reajuste salarial;
  • benefícios;
  • pisos da categoria;
  • condições de trabalho.

Se a negociação termina rapidamente, o reajuste começa a valer no próprio mês da data-base. Porém, quando as negociações se estendem, o pagamento pode acontecer meses depois e é aí que entra o dissídio retroativo.

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Como acontece a negociação do dissídio?

O processo começa quando o sindicato dos trabalhadores apresenta uma pauta de reivindicações. Essa pauta costuma incluir reajuste salarial, benefícios e melhorias nas condições de trabalho.

As empresas analisam os pedidos e iniciam rodadas de negociação. Em muitos casos, são necessárias várias reuniões até que as partes cheguem a um acordo.

Quando há consenso, o resultado é formalizado em convenção coletiva ou acordo coletivo. Quando não há acordo, o conflito pode chegar à Justiça do Trabalho, que define as regras por meio do chamado dissídio coletivo.

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Como é definido o percentual de reajuste?

O percentual do dissídio normalmente leva em consideração a inflação acumulada no período, medida por índices como INPC ou IPCA. O objetivo principal é evitar que o salário perca valor com o aumento do custo de vida.

Em alguns anos, quando a negociação é favorável aos trabalhadores, o reajuste pode incluir ganho real acima da inflação. Quando isso acontece, além de preservar o poder de compra, o dissídio aumenta efetivamente o salário.

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Como calcular o dissídio salarial na prática

Quando o percentual é divulgado, o cálculo do novo salário é direto. Para isso basta multiplicar o percentual pelo valor do salário atual.

Por exemplo, imagine que um trabalhador receba R$ 2.000 por mês e a convenção coletiva defina um reajuste de 5% para aquele determinado ano.

Para isso basta aplicar a fórmula:

  • Salário com dissídio = (Salário atual * percentual do dissídio) + Salário atual
  • Salário com dissídio = (R$ 2.000 * 5%) + R$ 2.000
  • Salário com dissídio = R$ 100 + R$ 2.000 = R$ 2.100

Esse reajuste passa a integrar o salário-base e impacta outros pagamentos, como férias, décimo terceiro, FGTS e horas extras.

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O que é o dissídio retroativo e por que ele acontece?

Nem sempre o acordo coletivo é fechado no mês da data-base. Negociações podem se estender por meses, principalmente em períodos de crise econômica.

Quando o acordo é fechado após a data-base, a empresa precisa pagar a diferença referente aos meses anteriores. Esse pagamento é conhecido como dissídio retroativo. Ele costuma aparecer na folha de pagamento como diferença salarial.

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A empresa pode deixar de pagar o dissídio?

Quando o reajuste está previsto em convenção coletiva, o pagamento é obrigatório. A empresa que descumpre o acordo pode sofrer multas e enfrentar ações trabalhistas.

Isso acontece porque as convenções coletivas possuem força de lei entre as partes. Na prática, não pagar o dissídio significa descumprir uma obrigação trabalhista.

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O que acontece quando a empresa não paga o dissídio?

Quando o reajuste é aprovado em convenção coletiva, acordo coletivo ou decisão da Justiça do Trabalho, ele deixa de ser uma opção da empresa e passa a ser uma obrigação trabalhista.

Se o empregador não aplica o dissídio, está descumprindo uma norma coletiva e isso pode gerar consequências jurídicas importantes.

Na prática, o trabalhador pode procurar o sindicato da categoria ou ingressar com ação na Justiça do Trabalho para cobrar as diferenças salariais. Nesses casos, a empresa pode ser condenada a pagar:

  • valores retroativos do reajuste;
  • juros e correção monetária;
  • multas previstas na convenção coletiva.

Dependendo da situação, o não pagamento pode atingir todos os funcionários da empresa, gerando ações coletivas e aumentando significativamente o passivo trabalhista.

Além das consequências jurídicas, existe um impacto interno que costuma aparecer rapidamente: a perda de confiança dos trabalhadores.

Empresas que atrasam ou deixam de aplicar o dissídio enfrentam maior rotatividade, queda de motivação e dificuldade de retenção de talentos, já que o reajuste anual é visto como um direito básico garantido por negociação coletiva.

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Por que acompanhar o dissídio da sua categoria é importante

Muitos trabalhadores só percebem o dissídio quando o salário aumenta. Outros nem sabem quando a negociação acontece.

Acompanhar a convenção coletiva da categoria ajuda a entender direitos, reajustes e benefícios negociados anualmente. Essa informação evita dúvidas, reduz conflitos e garante que o trabalhador saiba quando o reajuste deve chegar.

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Conclusão

O dissídio salarial é parte essencial da proteção ao trabalhador no Brasil. Ele garante que os salários sejam revisados periodicamente e que as condições de trabalho sejam negociadas coletivamente.

Entender como funciona o dissídio ajuda a acompanhar seus direitos, identificar atrasos e saber quando buscar orientação do sindicato ou da Justiça do Trabalho.

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FAQ – Perguntas Frequentes

O dissídio pode ser diferente para empresas da mesma cidade?

Pode. Mesmo dentro da mesma cidade, empresas podem seguir acordos coletivos diferentes quando pertencem a sindicatos patronais distintos ou firmam acordos coletivos próprios. Por isso, trabalhadores da mesma função podem ter percentuais, benefícios ou datas de reajuste diferentes dependendo da convenção coletiva aplicada ao empregador.

O reajuste do dissídio aparece automaticamente no holerite?

Nem sempre de forma imediata. Quando o acordo coletivo demora a ser fechado, a empresa pode aplicar o reajuste meses depois. Nesse caso, o valor costuma aparecer dividido entre reajuste mensal e pagamento de diferenças retroativas, que podem vir em uma ou mais folhas de pagamento.

O dissídio pode aumentar benefícios além do salário?

Sim. Negociações coletivas costumam incluir revisão de benefícios como vale-alimentação, auxílio-creche, plano de saúde e adicionais. Em alguns anos, esses benefícios podem ter reajustes maiores que o próprio salário, dependendo da estratégia de negociação do sindicato e das condições econômicas do setor.

Quem muda de emprego perde o direito ao dissídio daquele ano?

Depende da data de admissão e das regras da convenção coletiva. Em muitos casos, trabalhadores que mudam de empresa após a data-base continuam tendo direito ao reajuste proporcional, desde que estejam vinculados à mesma categoria profissional representada pelo sindicato.

Estar em aviso prévio impede receber dissídio?

Não necessariamente. Se o reajuste for aprovado durante o aviso prévio e a data-base estiver dentro do contrato de trabalho, o trabalhador pode ter direito ao reajuste proporcional ou às diferenças salariais retroativas, dependendo do período efetivamente trabalhado.

O dissídio pode variar conforme a região do país?

Sim. O Brasil possui negociações sindicais regionalizadas. A mesma profissão pode ter percentuais diferentes em estados ou cidades distintas, pois cada negociação considera fatores econômicos locais, custo de vida, produtividade do setor e força de negociação dos sindicatos envolvidos.

José Carlos Sanchez Jr.

José Carlos Sanchez Jr.

Jornalista dedicado a explicar decisões do Estado, traduzir políticas públicas e orientar cidadãos sobre como acessar seus direitos e benefícios sociais.

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