Boletim Focus: inflação em queda e PIB em crescimento

Mercado prevê IPCA em queda, PIB com crescimento fraco e Selic mantida em 15%: cenário exige cautela dos microempreendedores

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 25 de agosto de 2025 pelo Banco Central, mostrou revisão para baixo na projeção de inflação e uma leve redução na expectativa de crescimento do PIB. O câmbio segue próximo de R$ 5,60 e a taxa Selic continua em 15% ao ano. Para os microempreendedores, esses números traduzem um ambiente de menos pressão de custos, mas ainda de crédito caro e consumo moderado.

O relatório, que reúne as projeções de mais de uma centena de instituições financeiras e consultorias, serve como termômetro da economia.

A leitura da semana reforça que o Brasil avança em direção a uma inflação mais controlada, mas sem aceleração significativa da atividade econômica. Para quem toca um pequeno negócio, a lição é clara: organização financeira e adaptação ao ritmo lento do mercado.

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Principais indicadores do Focus

IndicadorSemana anteriorHoje (22/08)Tendência
IPCA (2025)4,95%4,86%Queda
PIB (2025)2,21%2,18%Leve queda
Câmbio (R$/US$)5,605,59Estável
Selic (2025)15,00%15,00%Estável
IGP-M (2025)1,13%1,04%Queda

IPCA (2025)

Semana anterior: 4,95%

Hoje: 4,86%

Tendência: Queda

PIB (2025)

Semana anterior: 2,21%

Hoje: 2,18%

Tendência: Leve queda

Câmbio (R$/US$)

Semana anterior: 5,60

Hoje: 5,59

Tendência: Estável

Selic (2025)

Semana anterior: 15,00%

Hoje: 15,00%

Tendência: Estável

IGP-M (2025)

Semana anterior: 1,13%

Hoje: 1,04%

Tendência: Queda

Inflação em queda: alívio nos custos

O destaque positivo desta semana foi a revisão do IPCA de 2025, que caiu de 4,95% para 4,86%. A sequência de quatro semanas de queda reforça a percepção de que a inflação está sendo controlada.

Para os microempreendedores, esse movimento significa menos pressão sobre os custos de insumos e serviços, o que dá mais previsibilidade ao planejamento.

Além disso, contratos de aluguel e tarifas atreladas a índices de preços tendem a sofrer menos reajustes. Esse cenário pode abrir espaço para pequenas reduções de preços ao consumidor ou para a manutenção de margens de lucro em níveis mais saudáveis.

PIB ainda modesto: crescimento lento do consumo

A projeção do PIB de 2025 caiu de 2,21% para 2,18%. Embora a diferença pareça pequena, ela reforça a leitura de que o crescimento será baixo e gradual. Um dos motivos para tal, é o aumento da taxa Selic.

Com a decisão do Banco Central em manter a taxa básica da economia alta por tanto tempo para controlar a inflação, houve uma desaceleração no consumo das famílias, resultando em uma leve queda no PIB deste ano.

Para os pequenos negócios, isso se traduz em um mercado consumidor que não deve disparar no curto prazo. Setores mais resilientes, como alimentação, saúde e serviços essenciais, devem sentir menos oscilação.

Já áreas ligadas ao consumo discricionário, como moda, turismo e lazer, precisam apostar em diferenciação, proximidade com o cliente e estratégias digitais para se manter competitivas.

Câmbio estável até o final do ano

O câmbio registrou pequena variação, caindo de R$ 5,60 para R$ 5,59. Essa estabilidade é vista por analistas como positiva porque reduz a volatilidade em custos de importados e em contratos dolarizados.

Para quem importa insumos, ainda não é hora de esperar grandes quedas, mas a manutenção nesse patamar traz previsibilidade.

Já exportadores e negócios que atuam com e-commerce internacional seguem se beneficiando de um dólar elevado, que torna os produtos brasileiros mais competitivos lá fora.

Selic em 15%: crédito segue caro

O mercado segue acreditando na manutenção da Taxa Selic em 15% ao ano, um nível elevado que mantém o crédito caro para consumidores e empresas. Para o microempreendedor, isso significa que os empréstimos de capital de giro continuam pesados, exigindo disciplina no controle do caixa.

Embora o mercado projete quedas graduais a partir de 2026, até chegar a 10% em 2028, no curto prazo a realidade é de restrição ao crédito.

Nesse cenário, ganha vantagem quem consegue trabalhar com recursos próprios, negociar prazos melhores com fornecedores ou adotar modelos de financiamento alternativos.

Outros indicadores do Focus

  • IGP-M caiu de 1,13% para 1,04%, beneficiando contratos de aluguel e reajustes atrelados ao índice;
  • Balança comercial segue robusta, com superávit projetado em US$ 65 bilhões, ajudando a sustentar a estabilidade cambial;
  • Dívida pública líquida está estimada em 65,8% do PIB, com trajetória de alta nos próximos anos. Esse dado indica que o governo terá pouco espaço fiscal, o que pode prolongar a política de juros elevados.

O que microempreendedores podem fazer agora

  1. Revisar preços com cautela: a inflação mais baixa permite pensar em estabilidade ou ajustes pontuais, sem comprometer a competitividade;
  2. Manter o caixa sob controle: com crédito caro, depender de empréstimos pode comprometer o negócio. Planejamento é essencial;
  3. Buscar eficiência: negociar com fornecedores, reduzir desperdícios e digitalizar processos ajudam a enfrentar o crescimento lento;
  4. Investir em fidelização: em um mercado que cresce pouco, reter clientes é tão importante quanto conquistar novos;
  5. Aproveitar a renda fixa: sobras de caixa podem render bem em títulos conservadores, ajudando a proteger o negócio.

Conclusão

O Boletim Focus desta semana reforça uma mensagem clara: a economia brasileira caminha para uma inflação mais controlada, mas ainda enfrenta juros altos e crescimento modesto.

Para o microempreendedor, o cenário pede disciplina financeira, criatividade na gestão e visão estratégica.

É hora de equilibrar custos, fortalecer o relacionamento com clientes e preparar o negócio para aproveitar, no futuro, a esperada queda dos juros e a retomada mais firme da atividade econômica.

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José Carlos Sanchez Jr.

José Carlos Sanchez Jr.

Administrador de Empresas com MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atualmente é consultor financeiro e redator especialista em finanças.

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