Boletim Focus: inflação cede, PIB esfria e juros altos seguem pressionando decisões empresariais

Expectativas de inflação para 2025 caem pela 11ª semana seguida, mas ainda continuam acima da meta. Crescimento recua, Selic permanece em 15% e dólar segue estável.

O Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (11/08), mostra que o mercado reduziu a projeção do IPCA para 5,05% e do PIB para 2,21% em 2025, mantendo a Selic em 15%. A revisão reflete expectativas de desaceleração econômica e inflação ainda acima da meta.

O levantamento, que compila projeções de mais de cem instituições financeiras e consultorias, confirma que a queda da inflação deve ser gradual e que a economia perderá ritmo nos próximos trimestres.

Com juros altos por mais tempo e dólar estável, o recado para as empresas é preservar o caixa, planejar investimentos com cautela e monitorar os custos de perto.

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Visão geral do cenário

BOLETIM FOCUS

Os números desta semana confirmam uma tendência: a inflação esperada vem caindo, mas em ritmo lento, e ainda supera o teto da meta de 4,5% para 2025. Ao mesmo tempo, a projeção de crescimento da economia perde força, indicando que a demanda interna deve esfriar.

No câmbio, nenhuma surpresa: dólar em R$ 5,60 para este ano e R$ 5,70 de 2026 em diante. Já a taxa de juros segue inalterada há sete semanas nas projeções, refletindo a percepção de que o Banco Central não terá espaço para cortes significativos antes de 2026.

Inflação: alívio marginal, mas acima do conforto

A redução do IPCA para 5,05% em 2025 é positiva, especialmente após 11 semanas de queda. Isso indica que os preços no atacado e alguns itens administrados começam a desacelerar. Ainda assim, esse patamar está acima do teto da meta, o que mantém o alerta para qualquer choque — seja por clima, câmbio ou reajustes regulados.

Para as empresas, essa inflação ainda alta significa que aumentos de custos devem continuar acontecendo, mesmo que mais espaçados.

O espaço para repassar preços ao consumidor será limitado pelo ambiente de crescimento moderado e juros elevados, o que pressiona as margens. A estratégia passa por controle rigoroso de despesas, revisão de contratos e busca por ganhos de eficiência interna.


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PIB: atividade perde fôlego

O recuo do PIB previsto para 2025, de 2,23% para 2,21%, pode parecer pequeno, mas reforça uma trajetória de desaceleração.

Para 2026 e 2027, as projeções também caíram levemente, apontando que o consumo das famílias e o investimento privado devem sentir mais o peso do crédito caro e da confiança moderada.

Empresas que dependem de vendas parceladas ou investimentos intensivos precisam se preparar para um ano de conversão de vendas mais lenta.

O desafio é manter a atratividade comercial sem comprometer margem, ajustando mix de produtos, reforçando diferenciais e, quando possível, ampliando canais de venda para diversificar receita.

Selic: custo de capital segue alto

Com a taxa Selic prevista em 15% até o fim de 2025, o custo de financiamento e antecipação de recebíveis continuará pressionado. Para quem planeja investir, ampliar capacidade ou reforçar estoque, o cálculo precisa considerar que esse custo não vai cair no curto prazo.

A boa notícia é que essa taxa elevada ajuda a manter o câmbio estável e controlar expectativas inflacionárias.

A má notícia é que ela restringe o crédito e encarece qualquer operação alavancada. O empresário que conseguir negociar capital próprio, parcerias estratégicas ou alongamento de prazos sairá à frente no próximo ciclo de expansão.

Câmbio: estabilidade, mas com riscos

O dólar projetado em R$ 5,60 indica um mercado sem grandes apostas de valorização ou desvalorização expressiva no curto prazo. No entanto, a estabilidade depende de fatores externos como juros nos EUA, fluxo comercial e cenário político interno.

Empresas importadoras devem aproveitar o momento para reforçar contratos de hedge e garantir previsibilidade de custos.

Já os exportadores podem se beneficiar de receitas em dólar para criar colchões financeiros, mas sem contar com uma disparada cambial como alavanca de lucro.

Estratégias para empresários em 2025

Diante do quadro atual, algumas estratégias podem ser benéficas para os empreendedores:

  1. Gestão de caixa conservadora — alongue prazos com fornecedores, evite estoques excessivos e mantenha liquidez para aproveitar oportunidades pontuais;
  2. Financiamento seletivo — priorize linhas indexadas ao CDI para prazos curtos e só fixe taxa se houver clareza de queda à frente;
  3. Política de preços cirúrgica — repasses graduais e estratégicos, avaliando sensibilidade do cliente em cada segmento;
  4. Planejamento de investimentos — considere payback mais longo e taxas de desconto elevadas no cálculo de viabilidade;
  5. Proteção cambial — mesmo com dólar estável, mantenha hedge mínimo em operações expostas para evitar surpresas.

Conclusão

Em resumo, o Boletim Focus desta semana reforça um cenário desafiador, mas previsível: inflação ainda acima da meta, PIB desacelerando e juros altos por mais tempo.

Para o empresário, a chave será proteger o caixa, manter flexibilidade e agir rápido quando o mercado oferecer janelas de oportunidade.

Quem alinhar gestão financeira e inteligência de mercado agora, vai navegar 2025 com menos turbulência e mais segurança para crescer.

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José Carlos Sanchez Jr.

José Carlos Sanchez Jr.

Administrador de Empresas com MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atualmente é consultor financeiro e redator especialista em finanças.

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