Seis em cada dez brasileiros endividados acreditam que o Desenrola 2.0 vai melhorar sua situação financeira. A pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira (21), ouviu 2.004 eleitores entre os dias 12 e 13 de maio e revelou que 68% dos endividados esperam se beneficiar do programa, enquanto 82% avaliam que ele terá impacto positivo para a economia do país.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que mais de um milhão de pessoas já foram atendidas pelo Desenrola 2.0 desde o início das operações.
O número impressiona quando comparado à aprovação do governo: apenas 31% dos endividados avaliam a gestão atual como ótima ou boa, e 46% aprovam o trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa com o programa ultrapassa, portanto, a base de apoio político do governo.
Entre os brasileiros sem dívidas, o otimismo também aparece: 39% acreditam que o programa beneficiará suas próprias finanças e 73% enxergam ganhos para a economia como um todo — índices igualmente superiores à aprovação do governo nesse grupo.
Os mais entusiasmados com o Desenrola 2.0, segundo o Datafolha, são jovens, moradores do Nordeste e eleitores de Lula.
Leia Mais
O cenário de endividamento no Brasil justifica a atenção ao programa. Em pesquisa anterior, realizada pelo mesmo instituto entre 8 e 9 de abril, dois em cada três brasileiros declararam ter dívidas financeiras. As modalidades mais comuns de inadimplência são parcelamentos de cartão de crédito, com 29% dos entrevistados em atraso, empréstimos bancários não quitados, com 26%, e carnês de lojas, com 25%.
O uso do crédito rotativo, modalidade ativada automaticamente quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura, também preocupa. Ao todo, 27% dos brasileiros recorrem ao rotativo, que cobra juros elevados sobre o saldo restante.
Contas de consumo e serviços acumulam inadimplência de 28% da população, segundo o levantamento de abril.
O quadro geral revela pressão financeira intensa sobre as famílias. O Datafolha identificou que 45% da população vive sob forte pressão econômica, medida por um índice que considera oito tipos de restrições orçamentárias, como cortes no consumo e inadimplência ativa.
O endividamento brasileiro vai além das instituições financeiras. O levantamento de abril apontou que 41% das pessoas que tomaram empréstimo com amigos ou familiares ainda não devolveram o dinheiro, um dado que expõe o impacto social das dívidas para além dos bancos. A margem de erro das pesquisas é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.










Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Ainda não há comentários nesta matéria.