Como sair da dívida do cartão de crédito em 5 passos

O rotativo do cartão é o crédito mais caro do país; mas com a estratégia certa é possível sair dessa dívida evitando que ela se torne uma bola de neve

Para sair da dívida do cartão de crédito é preciso entender o quanto se deve, negociar juros com o banco, trocar dívidas caras por alternativas mais baratas, criar um plano de pagamento viável e mudar hábitos de consumo. Com disciplina, é possível limpar o nome, reduzir a pressão dos juros e recuperar a tranquilidade financeira.

Vale destacar que no Brasil, os juros do rotativo do cartão de crédito atingiram impressionantes 449,9% ao ano, segundo o Banco Central, o que torna preocupante quando alguém acaba não conseguindo pagar o valor integral da fatura.

Na prática, uma dívida de R$ 1.000 pode se transformar em quase R$ 5.000 em apenas um ano, caso nada seja feito — um problema sério que exige ação imediata.

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O peso da dívida do cartão de crédito

O cartão de crédito é um dos meios de pagamento mais populares no Brasil: segundo o Banco Central, mais de 80 milhões de pessoas utilizam essa modalidade todos os meses. 

No entanto, apesar da praticidade, ele concentra os juros mais altos do mercado, que, conforme destacamos, podem ultrapassar 400% ao ano.

Dessa forma,  quando o consumidor opta por pagar apenas o valor mínimo da fatura, o problema vai se tornando uma bola de neve. Nessa situação, o saldo vai para o rotativo, onde os juros são altíssimos e crescem rapidamente.

Esse ciclo de endividamento compromete o orçamento, reduz a qualidade de vida e ainda pode levar à negativação do CPF. 

Mas a boa notícia é que com alguns passos simples é possível sair do endividamento do cartão de crédito e ter mais tranquilidade financeira. E é isso o que veremos a seguir.

Como sair da dívida do cartão de crédito em 5 passos

1. Entenda o tamanho da dívida

O primeiro passo é ter clareza sobre o quanto você realmente deve. Muitos consumidores se enganam ao pensar que devem apenas o valor não pago da fatura, mas na verdade a dívida já inclui juros, encargos e, muitas vezes, parcelamentos acumulados.

O que fazer na prática:

  • Acesse a fatura detalhada no app ou site do banco;
  • Some os valores do rotativo, do parcelamento e dos encargos;
  • Organize tudo em uma planilha simples para enxergar o valor total.

Por exemplo, se sua fatura fechou em R$ 3.000 e você conseguiu pagar apenas R$ 500, o saldo devedor de R$ 2.500 entrará no rotativo com juros de 15% ao mês. Em três meses, essa dívida pode ultrapassar R$ 4.000 se não houver intervenção.

2. Negocie com o banco

Os bancos são obrigados a oferecer opções de parcelamento mais baratas do que o rotativo. E o que isso significa? Que existe espaço para negociar e reduzir os juros.

Canais para renegociação:

  • Aplicativos bancários (quase todos já oferecem simulações automáticas);
  • Internet banking;
  • Central de atendimento;
  • Agências físicas, em casos mais complexos;

É comum que a taxa caia de 15% ao mês para algo entre 2% e 5% quando a dívida é parcelada. Mas atenção: o ideal é comparar sempre o Custo Efetivo Total (CET), que mostra todos os encargos, não apenas a taxa de juros.

A Maria, por exemplo, devia R$ 5.000 no cartão. Ao negociar, conseguiu parcelar em 24 vezes com juros de 3,5% ao mês. Se tivesse deixado no rotativo, pagaria mais de R$ 20 mil ao final. Com a negociação, reduziu o valor final para cerca de R$ 9.000.

3. Troque dívidas caras por mais baratas

Uma das melhores formas de sair da dívida do cartão é substituir a dívida por uma modalidade de crédito mais barata.

As principais alternativas são:

  • Empréstimo consignado: juros a partir de 2% ao mês;
  • Empréstimo pessoal: entre 3% e 5% ao mês;
  • Antecipação do FGTS: taxas menores e sem impacto no orçamento imediato.
Comparativo de juros – opções para substituir a dívida do cartão
Tipo de créditoJuros médios ao mêsExemplo (R$ 3.000 em 12 meses)
Rotativo do cartão15%> R$ 12.000
Parcelamento do cartão5%≈ R$ 5.400
Empréstimo pessoal3%≈ R$ 4.200
Consignado2%≈ R$ 3.800
Valores ilustrativos para comparação didática. Simule condições reais no seu banco e compare o CET (Custo Efetivo Total).

4. Crie um plano realista de pagamento

Depois de negociar ou trocar a dívida, é hora de organizar o orçamento familiar.

  1. Liste todas as receitas mensais (salário, renda extra, benefícios);
  2. Coloque no papel todos os gastos fixos (aluguel, contas, transporte, alimentação);
  3. Corte ou reduza despesas supérfluas;
  4. Defina um valor fixo para a quitação da dívida e trate-o como prioridade absoluta.

Foi assim que o João que devia R$ 3.000 no rotativo saiu da dívida. Ele pegou um consignado com juros de 2% ao mês e passou a pagar R$ 380/mês. Em 12 meses, quitou a dívida pagando menos da metade do que pagaria no cartão.

5. Mude seu comportamento financeiro

De nada adianta sair da dívida se os hábitos que geraram o problema permanecerem. O cartão de crédito pode ser útil, mas deve ser usado com cautela.

Boas práticas:

  • Nunca comprometa mais de 30% da renda com despesas no cartão;
  • Evite parcelamentos longos (quanto maior o prazo, maior a chance de perder o controle);
  • Utilize aplicativos de gestão financeira para acompanhar gastos em tempo real;
  • Estabeleça metas de consumo: por exemplo, guardar 10% do salário antes de gastar.

Com o tempo, o cartão deixará de ser um vilão e voltará a ser apenas uma ferramenta de conveniência.

Conclusão

Sair da dívida do cartão de crédito é desafiador, mas totalmente possível. O segredo está em agir rápido, buscar alternativas com juros menores e adotar novos hábitos financeiros. 

Quanto antes você se organizar, menor será o impacto dos juros no seu bolso e mais rápido será o caminho para construir sua liberdade financeira.

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FAQ – Perguntas Frequentes

1. Posso quitar a dívida do cartão com outro cartão?

Não é recomendado quitar a dívida do cartão usando outro cartão. Essa prática apenas transfere o problema para uma nova fatura, mantendo os juros elevados e aumentando o risco de perder o controle financeiro. O ideal é buscar negociação com o banco ou alternativas de crédito mais baratas.

2. O banco é obrigado a oferecer parcelamento da dívida?

Sim. Desde 2017, o Banco Central determinou que as instituições financeiras são obrigadas a oferecer opções de parcelamento mais baratas que o rotativo. Isso significa que o consumidor tem direito a alternativas com juros menores, tornando a dívida mais previsível e permitindo um planejamento financeiro mais seguro.

3. Vale a pena usar o saque do FGTS para pagar dívidas?

Na maioria dos casos, vale sim. O rendimento do FGTS é de apenas 3% ao ano, enquanto os juros do cartão ultrapassam 400% ao ano. Portanto, ao sacar o FGTS para quitar dívidas, o consumidor economiza muito mais do que deixaria rendendo na conta vinculada.

4. O que acontece se eu não pagar o cartão?

Deixar de pagar o cartão de crédito traz várias consequências: o nome pode ser negativado, o limite é bloqueado, e a dívida continua crescendo com juros altíssimos. Além disso, o histórico de crédito fica prejudicado, dificultando o acesso a financiamentos, empréstimos e até serviços básicos em instituições financeiras.

5. É melhor negociar com o banco ou procurar empresas de renegociação?

Sempre comece negociando com o próprio banco, já que ele pode oferecer parcelamentos ou descontos diretamente. Empresas de renegociação, como a Acordo Certo, podem ser alternativas, mas é essencial comparar taxas e prazos. Avaliar o Custo Efetivo Total (CET) é fundamental para garantir que o acordo realmente compense.

6. Posso usar a portabilidade de crédito para reduzir juros?

Sim. A portabilidade de crédito permite transferir a dívida para outra instituição que ofereça taxas menores. Essa prática pode reduzir significativamente os juros e facilitar o pagamento das parcelas. Antes de fazer a portabilidade, é importante comparar as condições e simular cenários para ter certeza de que a mudança vale a pena.

José Carlos Sanchez Jr.

José Carlos Sanchez Jr.

Administrador de Empresas com MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atualmente é consultor financeiro e redator especialista em finanças.

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